Portugal foi atingido por um “comboio de tempestades” que provocou ventos extremos, chuvas intensas e inundações, causando mortes, destruição generalizada e deixando comunidades inteiras em situação de grande vulnerabilidade. A Médicos do Mundo está no terreno para apoiar as populações mais afetadas. 

16 de fevereiro de 2026

Nas últimas semanas, o país enfrentou uma sucessão de depressões atlânticas, descritas pelos especialistas como um verdadeiro “comboio de tempestades”, que geraram chuva intensa, ventos muito fortes e inundações em várias regiões.  

As tempestades Kristin, Leonardo e Marta provocaram pelo menos 16 mortes, centenas de feridos, centenas de pessoas desalojadas e muitas outras deslocadas temporariamente dos seus domicílios, além de milhares de ocorrências registadas e danos significativos em habitações e infraestruturas essenciais. Os ventos extremos e as cheias causaram ainda longos cortes na rede elétrica e falhas generalizadas nas telecomunicações, problemas que persistem em várias zonas do país.  

Face à gravidade, o Governo português declarou situação de calamidade em 68 concelhos, sobretudo nas regiões Centro e Oeste, refletindo a dimensão dos danos provocados pelas sucessivas tempestades.  

O impacto acumulado destes eventos extremos, com rajadas superiores a 200 km/h, cheias súbitas e infraestruturas destruídas, deixou comunidades inteiras em situação de vulnerabilidade acrescida, com casas danificadas ou inabitáveis, serviços essenciais interrompidos e famílias sem acesso a recursos básicos para enfrentar os dias seguintes. 

 

A resposta da Médicos do Mundo  

Perante esta emergência nacional, a Médicos do Mundo avançou de imediato com uma resposta faseada, começando por articular com as autoridades locais a identificação das necessidades mais urgentes nas zonas mais afetadas entre os 68 concelhos em estado de calamidade no Centro e Oeste de Portugal.  

A intervenção iniciou-se em Castanheira de Pera, um município da Região Centro onde a organização mantém presença desde a missão de emergência desencadeada pelos graves incêndios de 2017.  

Posteriormente, e na sequência da identificação de novas necessidades no terreno, a resposta passou a concentrar-se no município da Marinha Grande, também na Região Centro, a poucos quilómetros da cidade de Leiria, e igualmente entre os concelhos mais afetados pelas sucessivas tempestades. 

 

Primeira fase: Castanheira de Pera 

Castanheira de Pera foi um dos municípios mais atingidos pela Tempestade Kristin, que deixou centenas de habitações seriamente danificadas e colocou muitas famílias numa situação particularmente frágil. Perante este cenário, a Médicos do Mundo respondeu às necessidades mais imediatas em estreita articulação com a autarquia. 

A intervenção incluiu: 

  • Identificação das prioridades mais urgentes 
  • Angariação de fundos para aquisição de lonas e lanternas, essenciais para uma resposta imediata aos danos provocados pela tempestade; 
  • Disponibilização destes materiais, que foram distribuídos pela equipa de ação social da Câmara Municipal de Castanheira de Pera.  

Este conjunto inicial de ações permitiu estabilizar situações críticas, reforçar a segurança das famílias, mitigar o impacto das chuvas persistentes e evitar o agravamento dos danos enquanto a comunidade inicia o processo de recuperação.

 

Segunda fase: Marinha Grande 

Com a progressão da emergência e a identificação de novas necessidades no terreno, a atuação da Médicos do Mundo passou a concentrar-se na Marinha Grande, outro município abrangido pela situação de calamidade e fortemente afetado por danos estruturais, falhas de energia e limitações nas acessibilidades. 

No terreno, a equipa tem vindo a assegurar uma intervenção em articulação com a autarquia local, que abrange: 

  • Levantamento de necessidades urgentes; 
  • Apoio logístico e resposta a necessidades básicas; 
  • Distribuição de bens essenciais, incluindo alimentos, produtos de higiene e alimentação para animais; 
  • Colaboração na triagem de bens doados; 
  • Preparação de kits de bens essenciais para distribuição à população mais afetada; 
  • Resposta a sinalizações da equipa da Divisão de Ação Social do município, garantindo avaliação de necessidades de saúde, alojamento e bens de primeira necessidade, com respostas imediatas para os casos mais urgentes; 
  • Apoio de saúde e psicossocial, assegurado por profissionais especializados.

 

apoio_marinha_grande

 

A importância do apoio psicossocial em contexto de catástrofe 

Entre as necessidades identificadas na Marinha Grande, o apoio psicossocial tem assumido particular relevância. As tempestades sucessivas deixaram muitas pessoas sob forte stress, ansiedade, insegurança e perda de bens essenciais. Em diversos casos, as famílias enfrentam danos graves nas suas casas, deslocação temporária, receio de novas tempestades e uma quebra abrupta das suas rotinas. 

Para responder a esta dimensão humana da emergência, a Médicos do Mundo está a disponibilizar acompanhamento especializado, assegurado por psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. Esta intervenção inclui apoio emocional imediato, identificação de sinais de risco e encaminhamento para respostas adequadas, contribuindo para restaurar um sentimento de segurança, reduzir o impacto emocional e apoiar a recuperação das comunidades.   

 

Uma resposta que continua a evoluir 

Apesar da melhoria da situação meteorológica, mantêm-se elevados os riscos associados às chuvas intensas já registadas, incluindo derrocadas e agravamento dos danos existentes.  

A Médicos do Mundo vai continuar no terreno, adaptando a sua intervenção às necessidades emergentes e aos impactos que ainda possam surgir. 

A nossa presença nestas comunidades só é possível graças ao trabalho conjunto com autoridades locais, parceiros e pessoas que têm contribuído para o nosso Fundo de Emergência, permitindo uma atuação rápida e eficaz. 

 

Para mantermos a resposta no terreno e responder a novas necessidades, o seu contributo é essencial.  

Faça um donativo para o nosso Fundo de Emergência e ajude-nos a continuar a apoiar as populações afetadas pelas tempestades.