MdM Suíça

Apesar dos Estados Unidos afirmarem que Israel tomou medidas significativas para responder às suas preocupações sobre a situação humanitária em Gaza, após uma carta enviada a 13 de outubro, as Organizações Não-Governamentais (ONG) internacionais relatam factos que mostram uma realidade completamente diferente. Durante o mês de novembro, o acesso humanitário foi mais obstruído do que nunca.

Na sétima edição do Snapshot humanitário das ONG internacionais, a Médicos do Mundo e outras organizações humanitárias relatam factos marcantes relativos à obstrução da ajuda humanitária, que afetaram as suas operações no período de 10 de outubro a 13 de novembro:

 

  • Na província de Gaza do Norte, Israel bloqueou a possibilidade de as organizações humanitárias levarem ajuda aos civis sitiados. As ONG palestinianas parceiras da Islamic Relief, War Child, Oxfam, CARE, MdM, MECA e IRC tiveram de suspender as operações de resgate em áreas como Beit Lahia e Jabalia, devido a novas ofensivas militares israelitas. Pelo menos sete organizações viram os seus movimentos negados no âmbito de operações humanitárias, com impacto na distribuição de água e no fornecimento de ajuda essencial. 

  • A entrada de ajuda em Gaza continuou obstruída, com 10 ONG internacionais a relatarem atrasos consideráveis para fazer chegar os seus camiões de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Algumas organizações não conseguiram entregar ajuda, apesar de uma espera de mais de 10 meses na fronteira. 

  • Os ataques contra os profissionais humanitários continuaram, com pelo menos 20 trabalhadores humanitários de ONG palestinianas e internacionais mortos por ataques aéreos israelitas. A 7 de novembro, quando se dirigia a um local em Nuseirat para fornecer água, uma equipa WASH da Solidarités foi alvo de disparos do que acreditam ser um drone "quadcopter". 

  • Os deslocamentos forçados e as restrições de movimento impostos por Israel também interromperam as atividades essenciais de muitas organizações no sul da Faixa de Gaza. Três ONG internacionais relataram a suspensão das suas operações devido a ordens de deslocamento no Sul, incluindo um centro de cuidados de saúde primários apoiado pela MdM. Sete ONG internacionais indicaram que os seus pedidos de deslocamento foram negados pelas autoridades israelitas (inclusive no interior da "zona humanitária" designada por Israel), ou devido à insegurança nas áreas de operações, falta de combustível ou infraestruturas inutilizáveis. 

 

Como potência ocupante, Israel é obrigada a garantir o acesso adequado a alimentos, produtos médicos, abrigo e outros bens essenciais necessários à sobrevivência da população civil no território ocupado. As autoridades israelitas não só falham em cumprir essa obrigação, como também obstruem o trabalho fundamental dos atores humanitários, que lutam para garantir a sobrevivência e atender às necessidades básicas da população civil palestiniana.

Como signatários da Quarta Convenção de Genebra, os Estados terceiros são obrigados a garantir o seu cumprimento (artigo 1). É urgente que sejam tomadas medidas concretas, além das simples condenações e declarações, por forma a aumentar a pressão política para garantir um cessar-fogo imediato e permanente, e facilitar um acesso seguro e sem entraves à ajuda humanitária.

 

Utilizamos uma seleção de cookies próprios e de terceiros nas páginas deste site. Cookies essenciais, que são necessários para usar o site; cookies funcionais, que proporcionam melhor facilidade de uso ao usar o site; cookies de desempenho, que usamos para gerar dados agregados sobre o uso do site e estatísticas; e cookies de marketing, que são usados para exibir conteúdo e publicidade relevantes. Se você escolher ''ACEITAR TUDO'', você consente o uso de todos os cookies. Você pode aceitar e rejeitar tipos de cookies individuais e revogar seu consentimento para o futuro a qualquer momento em "Configurações".