30 de junho de 2026
Nos últimos dias, a nossa equipa de emergência visitou centros de saúde, espaços de alojamento temporário e áreas onde muitas famílias permanecem abrigadas em veículos ou em assentamentos improvisados, com o objetivo de identificar as necessidades mais urgentes e definir uma resposta adaptada ao contexto.
Há uma parte significativa da resposta humanitária em saúde que está a concentrar-se nos hospitais, enquanto os cuidados de saúde primários e a saúde sexual e reprodutiva apresentam fragilidades importantes, apesar de serem serviços fundamentais para prevenir o agravamento da saúde da população afetada.
“Numa emergência desta natureza, é fundamental que, para além dos cuidados hospitalares, se mantenham os serviços de saúde básicos que estão mais próximos das pessoas. Garantir o acesso a consultas de cuidados de saúde primários, medicamentos, saúde materna, saúde mental e acompanhamento de pessoas com doenças crónicas evita que a crise de saúde se agrave nas próximas semanas”, explica Andrey Escalona, coordenador médico de emergência da Médicos do Mundo na Venezuela.
Entre as principais necessidades identificadas destacam-se a reativação de centros de saúde que se mantêm operacionais ou que podem rapidamente voltar a funcionar, o acesso continuado a medicamentos essenciais e a prestação de cuidados às pessoas deslocadas que permanecem em espaços informais.
A organização identificou também a necessidade de reforçar a resposta em saúde mental e apoio psicossocial, bem como os serviços de saúde sexual e reprodutiva, especialmente para mulheres grávidas, raparigas e outras pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Uma resposta coordenada com as autoridades
A Médicos do Mundo mantém uma coordenação permanente com o Ministério do Poder Popular para a Saúde e com as restantes organizações presentes no terreno, de forma a garantir que a resposta complementa os esforços já existentes e chega onde as necessidades são maiores.
A organização prevê centrar a sua intervenção no apoio à continuidade dos cuidados de saúde primários, através de consultas médicas e de enfermagem, atendimento a traumatismos ligeiros, disponibilização de medicamentos prescritos, cuidados em saúde mental e apoio psicossocial, serviços de saúde sexual e reprodutiva, e estabilização e referenciação de doentes sempre que necessário.
A avaliação confirma também que vários hospitais sofreram danos significativos e que as autoridades estão a mobilizar hospitais de campanha para recuperar parte da capacidade assistencial perdida.
A Médicos do Mundo continuará a adaptar a sua intervenção à evolução da emergência e às necessidades da população afetada, com o objetivo de garantir o acesso a cuidados de saúde dignos, de qualidade e ajustados às necessidades reais das comunidades.
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